domingo, 16 de julho de 2017

Mulher




Astutas feiticeiras, ladras, roubando vidas com seus cantos desde o princípio
Deusas mulheres, encarnações das divindades, senhoras dos seios que tornam os homens limpos em seres impios

Criaturas peculiares, o mundo e a ciência não compreende essa sugestão que provém da magia de seu coração
Rainhas, deusas de Sabá
Ás donas do mundo e de tudo que nele há

Adão pranteou uma e o criador supriu com outra
Ousada humana que deusa tornou-se, rainha do maligno, até o diabo humilhou-se
Empoderadas, entre suas coxas existem os espaços onde os homens habitam como escravos

Humilhados marginais que necessitam de seu leite, mulher, dê-nos seu deleite
O mundo é um enfeite ornando teu corpo, apenas aceite e ajeite
Tens como obrigação a ascensão de teu coração, mantendo teu encanto, teu feitiço e tua oração

Mulher, tu és o poderio desta nação
Tu és o tesouro desse mundo em abnegação
Tu és a dona de toda essa contradição, comande e levante, ou apenas encante.


Maicou Rangel

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Lilith




Ela foi contida em sua sanidade
Nada era tão poderoso quanto a sua entidade
Mãe do mundo e deusa da sexualidade.

Do jardim ela partia e traze-la de volta nada conseguia
No breu ela proferiu e da água do inferno aderiu
Rainha partida agora, ela progrediu.

A luz era dada, entre suas coxas só havia à praga
O sexo ela pariu
São genitálias assassinas como o mais afiado fio

A mãe que hoje manda no mundo, rainha das trevas que concebeu sua bênção
A todo pagão que se apega ao sexo na solidão, tem sangue em suas mãos
Gotejando o esperma sobre o crucifixo cristão estão todos que se ajoelham em oração

O sexo habita em cada coração
Lilith viverá sob a sombra do cristão
Enquanto o crente ora a genitália esfola com sua fornicação.

Maicou

sexta-feira, 23 de junho de 2017

GRATIDÃO




 Esse mundo... Esses lugares! 
 Essas pessoas... Esses amores! 
 A minha religião são meus amigos, minha família e tudo aquilo que me conforta e me faz bem, tudo aquilo que me joga para frente quando eu penso em recuar. 
 Meu Deus, não, meus Deuses! Meus Deuses são os elementos, à natureza, o amor incondicional, a pureza que ainda resta; são todas as forças poderosas nesse mundo que nos domina sem nem percebermos! Meus Deuses são aqueles a quem recorro quando estou totalmente desamparado.
 Não preciso de dogmas para me domesticar, não preciso de superstições para me fortalecer, preciso apenas de um lugar para viver, comida para comer e alguém para me acompanhar!
 O mundo não acabará, e não me tornarei dependente de crenças tão hediondas para crer que na morte vou me salvar.
 A Morte vem, e ela virá.
 Para todos a Morte chegará, e se na velhice eu estiver me cercarei de nostalgias e fotos, lembrando que na vida e na saúde aproveitei meus bordões, meus amigos, meus palavrões e todas as sensações que um dia eu pude aproveitar!
 Ali comigo meu grande amor partirá, e é só nisso que eu quero me segurar, na lembrança que um dia um grande homem eu pude amar.



Maicou Rangel

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Utópico



Cortesia seria uma ida não partida...
Saudosa? Como saudar?
O homem tão sujo não mais há, o grande se foi e o pior também...
O que resta é ninguém.

Nessa vida bandida, maldita, perdida e poluída...
Ossos e carnes espalhados aos lados, abandonados sem ao menos estar em intestinos, reciclados...
Perdido, perdido, perdido, perdido; sou eu o único amigo.

Matei a todos, humanos mortos são bem mais amorosos, carinhosos, cautelosos...
Não existem nem mais os pobres idosos.
Animais agora, são os parentes selvagens que a natureza me da.

O mundo renascerá...
Daqui pra frente a doce dama Morte me velará, acompanhará e comigo bailará.
O mundo renascera, sem humanos; essa escória não mais há, sou o novo deus que o mundo herdará.

Maicou Rangel~~

Marie ascendeu




Marie...
Morta menina, dama partida.
Solstício, a lua nascia nascida, o céu era puro preto.
E do preto puro Marie acendia, com faíscas o fogo ecoava belo...
Sândalo e mirra no barro fervia, aroma partia sua alma esvaía.

Marie...
Ascendeu ao luar, o olhar era alvo...
Rodando e pairando ylang-ylang a levou, tornou-se uma só no ventre da terra
Ylang-ylang que por sua pele brilhou, secando ao calor do fogo que avivava tua alma; Marie de tua alma desapegou...

No mundo sombrio, pisadas quentes e ferro fervente
O inferno tocou!
Ao Seol comandou, Marie ao grande deus encontrou, Lúcifer com asas pulsantes teus olhos inclinou
O mundo não há, tua alma não mais, o Diabo a amou.

Maicou Rangel

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Nossos







Homens, simples, pobres tão tolos...
O que são sentimentos comparados as outras incontáveis curiosidades na vida?
Simples adjetivos ignorados, vividos mas não compreendidos!

Tudo se torna tão banal, e o homem aos poucos torna-se escravo da decadência de sua pobre compreensão! Aquela que sabe mais da ciência e menos do próprio coração...
Hoje me sinto feliz, pois já senti, sofri, perdi, amei, ganhei, olhei, apaixonei, gozei, implorei, precisei, perdoei, me desculpei; e tantas outras coisas que fizeram meu coração estremecer, minha alma arder, minha pele tremer!

Digo então, não ignore o mais simples sentimento, ele pode ser tornar um gigante mais a frente; tão valioso quanto todas as riquezas já ganhas.
Sente-se necessitado de abandonar, abandone!
Se sente a necessidade de amar, ame! Se nada for bom aos teus olhos, aprenda com a dor, mas nunca passe vontade, nunca deixe de arriscar.
Essa é a vida, os sentimentos são alguns dos riscos que devemos desbravar.

Humano, não ignore o que é mais belo e simples, não deixe de amar as inúmeras formas do amor...
Apenas sinta, apenas viva; se precisar pedir peça, se precisa falar diga, se precisa implorar implore. Mas não deixe na calada do seu coração a dor de não fazer o que deveria ter feito!

Feridas molhadas fedem e apodrecem, então coloque tudo sob o sol, veja acontecer... Espere, mas faça!
Não ignore teus sentimentos.

Maicou Rangel

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A caminho de Faun




Dia de graça, quando a noite se deita sobre nós, galopamos a caminho...
Viajando estamos para a floresta de Faun.

No auge de seu sono a noite sussurra a hora certa; estamos agora em circulo sobre o fogo.
Com os olhos calados, viajando em pensamentos com mente vazia; a grande mão se estende...

O Fauno grita de longe, estamos agora evocando o deus da floresta nobre, com seus cascos rachados ele toca o chão e galopando feroz ele vem.
A sua majestade é divina, teus chifres curvos e seu cheiro doce indica o poder da imponência, e teu corpo viril, tão plausível exala o despudor no ritual da vida.

Senhor rei, que caia sobre mim com tua aura; e que penetre sob minha pele a agonia de ser um servo da natureza.
O Fauno agora vive em mim!
Toque tua flauta, chame tuas ninfas, vamos agora comemorar; a bebida da vida celebra a morte, as almas daqui nunca partirão.

Maicou Rangel

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Cômico





Deixo fixo que o sexo não passa de uma sensação.
Tão necessário?

Me vejo com olhos de um além, fora do carnal, do simples; já me vejo em espírito avançado para um simples patamar de necessidades.
Porque?

No mundo há demasiadamente formas variadas de inspiração para novas criações, para tantas opiniões e opções! E podemos escolher o que fazer!
Paramos, comemos, transamos e procriamos ou simplesmente criamos, ordenamos, vivemos, sentimos e pensamos..

O dom criacional foi nos concedido como pequenos deuses, porém os júbilos humanos são de variáveis: sentimentos pequenos, sensações prazerosas e vícios gananciosos.
Pobre do homem que vê apenas uma genitália, quando na verdade eu vejo uma grande liberdade; com os olhos de um deus.

Maicou Rangel​

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Incompreendida Morte




Passei e ainda passo a vida admirando a Morte; como um anjo que no fim ceifará apenas... Admirando-a como um ser distinto do conhecido, distante de nossos olhos e invisível aos nossos corações... Mas na vida, a Morte além de um ser onipotente também traz consigo uma dor mórbida e tão inerente...
Seu toque soa como o tinir do sino; longo, alto e doloroso!
Tua foice corta como a mais fina lâmina afiada, às vezes sente-se outrora apenas se esvai.
Morte, o mundo lhe odeia, mas alguns sempre a compreenderão!

Maicou Rangel

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Lullaby




Meu deus, que na escuridão me abandonou, onde estou?
Me ajude por favor, eu o imploro, esteja a meu favor...
Abandonado, me arrasto aos buracos molhados da vasta escuridão, sentindo apenas o odor da podridão.

Meu deus, que olhos negros proporcionou, me abandonou?
Agora posso sentir minha pele a se partir...
Umedecida, rachando-se pelas pútridas partículas a me despir; hoje serei nada mais que parte do chão, tão gelado em minha comunhão.

Meu deus, desligue essa canção que racha meu pobre coração
Tão pequeno está que posso sentir as trevas pesar, pare agora, por misericórdia, não deixe mais tocar; essa musica fez meu pequeno coração sangrar e parar.

Maicou Rangel